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Vitor Lourenço

O MUNDO PELO AVESSO

26/01/2004

Davos é vitrine de um supermercado que já faliu

Davos foi derrotado, antes de tudo, pelo desencontro de suas teses com a realidade – privilégio do econômico-financeiro sobre o resto, promoção dos milionários do mundo a agentes e donos legítimos do mundo.

O Fórum Econômico Mundial tenta sobreviver a si mesmo. Seu momento de glória teve como cenário o ciclo de expansão da economia norte-americano na segunda metade dos anos 90 do século passado, quando as grandes corporações e o sistema financeiro internacionalizado parecia reinar soberanamente no mundo. Bill Gates e Soros, McDonald’s e Nike – foram alguns dos símbolos maiores daqueles tempos terminados.
O fim desse ciclo expansivo fez de Davos uma vitrine de um supermercado que já faliu. Tentou adequar-se aos novos tempos – de recessão e de guerra -, realizando-se em 2002 em Nova York, para tentar pegar uma carona no clima posterior aos atentados de setembro de 2001. Não funcionou. Tentou e segue tentando diversificar seu cardápio: incorporar temas sociais e buscar cooptar ONGs, como faz o Banco Mundial, assim como tenta agora discutir temas como o Oriente Médio.

Davos foi derrotado, antes de tudo, pelo desencontro de suas teses com a realidade – privilégio do econômico-financeiro sobre o resto, promoção dos milionários do mundo a agentes e donos legítimos do mundo. Mas foi derrotado também com o surgimento do Fórum Social Mundial de Porto Alegre. Este demonstrou que os temas fundamentais para a humanidade são discutidos ali, sob a ótica do privilégio do social e não em Davos, com seu enfoque econômico-financeiro. Ficou claro que sobre a frieza da cidade suíça povoada por milionários, cercada por milhares de policiais, prevalece a imagem alegre das multidões que acorrem aos Foros Sociais. Ficou claro que o pensamento crítico e independente está em Porto Alegre e não em Davos.

Aqueles mesmos que haviam promovido Davos já há alguns anos abandonaram a estação de esqui suíça. Já no ano passado, nenhum mandatário europeu – embora estejam a dezenas de minutos de avião de Davos – compareceu, o que se repete este ano. A imprensa econômica tenta encontrar algum interesse, tentando aquecer a temperatura de menos de zero, sem que nada de interessante ocorra em Davos. Uma vitrine de um supermercado que já faliu.

Emir Sader, professor da Universidade de São Paulo (USP) e da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), é coordenador do Laboratório de Políticas Públicas da Uerj e autor, entre outros, de “A vingança da História" (Boitempo Editorial) e "Século XX – Uma biografia não autorizada” (Editora Fundação Perseu Abramo).

Emir Sader - Colunista da Agência Carta Maior

Redação / Emir Sader / Agência Carta Maior

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